Chegando em casa, ela colocou a bolsa em cima da grande mesa de madeira, alimentou os seus três peixes do aquário e enquanto tirava a sandália apertou o play da secretária eletrônica e ouviu o primeiro recado, a voz lhe soava bastante familiar:
"...Se um dia passar por essas bandas novamente, leve contigo aquilo que te pertence. Nunca quis ser assim. Ando falando demais, pensando demais, inventando demais. Não quero contar estórias, não quero.
Não me compreenda errado, não interprete e nem busque desdizeres nas entrelinhas. Desculpa. Não quero mal agradecer um pouco do tudo que sou hoje, mas se me brindam com algum elogio, logo revivo você e mais que imediatamente reconheço que parte de certos afagos que ouço devo a ti.
Renegar a vocação, à meu ver, é pecado tão estúpido quanto ignorar as leis da física ou fato equivalente. Mas soa quase como plágio certas vezes. Meu mundo é cinza e nunca quis colorir. Aliás as metáforas andam me enjoando, sem exageros.
E o que dirão? Alguns falam em "dom", "habilidade", "jeito pra coisa". Mas esse tal de "talento" foi um presente furado que tu me deste feito par de meias que aquela tia inconveninente dá no Natal. Não quero me desavergonhar, essa mania de verbalizar já passou dos limites. Caras tímidos cantam no chuveiro, e só..."
2 comments:
Vc é simplemente um poeta!!!
Seus textos são MA-RA-VI-LHO-SOS!!!
Te Adoro!!!
Bjkas
A frase do "renegar a vocação" foi como um conselho aos ouvidos meus...nao vou dizer não a minha verdadeira vocação ...quero isso mais do que tudo !E vou tentar ... "É melhor tentar e fracassar do que nunca ter tentado e ter se arrependido!"
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