Estou pobre
Tão pobre que perdi minhas aspirações
E tão pouco posso comprar meu sonho em alguma padaria
Estou muito pobre
Tão pobre que se foram todas as minhas paixões
E tão pouco posso pagar amores em casas de orgia
Estou pobre
Tão pobre que não posso fantasiar minha alegria
E tão pouco posso alugar meu pierrô em qualquer alegoria
Estou muito pobre
Tão pobre que a camisa do meu time desbotou
E tão pouco dinheiro pro ingresso restou
Estou pobre
Mas ainda me restou o violão, idéias no coração
E tão pouco posso deixar os meus versos no chão
Escreverei-os em papéis de pão deixados naquela padaria
E com eles ornamentarei minha fantasia com asas de cupido
Roubarei beijos de um doce rosto pra mim esculpido
Tão explosivos e efêmeros como um gol gritado
Feito a pobreza que é do espírito o estado
3 comments:
ainda que bem que sempre restam por aí voando pedaços de papel de pão e até serpentinas. com eles se constrói o resto, derruba o infesto e segue. podendo até sorrir.
Adorei o verso...se inspire e se refaça por ti e para todos...beijos
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