Sunday, October 28, 2007

Falta Decidir

Ando pensando em você
A noite quando a cidade dorme

Só não sei se é colorido
ou preto e branco

Se é doce feito picolé
Ou amargo feito remédio

Se é sonho
Ou pesadelo

Monday, August 13, 2007

Ambos Idem

Aparições são como relâmpagos ou mesmo estrela cadentes.
Riscam o céu em velocidade tanta que não nos rendem tempo para raciocínio...


A tarde no Centro, dez passos de escada.
Dois pés prateados de all-star e pares de olhos desavisados.


Surpresa programada (in) desejada.
Sem jeito estavam, como de praxe.


Alguém gaguejou, alguém ficou com pernas trêmulas.
Um providencial blá-blá-blá inútil pra esconder o que o olhar denuncia.


Lembranças são fragmentos armazenados no canto da caixa.
Isso costuma nos manter vivos e salvos.

Entre muvuca que passa apressada,
muitos quereres relembrados misturam a alma.

Tanta coisa que poderia ser dita,
coisa tanta de fazer rir ou chorar.

Que pelo sim ou pelo não, quem falou alto foi dona razão...
Tem horas que é melhor calar.

Wednesday, June 13, 2007

Sobre Primaveras

As vezes me sinto uma puta de luxo
Invadida por alguns doláres lavados
Suja e exalando o melhor dos perfumes

Me sinto menina-moça de seios tímidos
De primeiro sutiã recém-comprado
Esperando namorado-príncipe

Ou loba na idade da mulher madura
Disquitada e perdida em anos mal trepados
Com 2 filhos feitos nas quase-coxas

Velha experiente que olha pra trás
Sorrindo pelas besteiras que consumou
Ou chorando por flores ressecadas

Sou um pouco de tudo
Com 20 e alguns anos
E continuo fazendo porque gosto

Wednesday, May 30, 2007

O Porém na Terra da Dúvida

flagro-me pensando em você
e largado no passado
viajo num quase-sonho
quase-bom


Você lamenta, eu grito.
Teu céu nubla sem graça, o meu relampeja no infinito
Se teus braços cruzam, meus punhos cerram
Melancolia não combina com cólera
Como roteiros de fins tristes e finais felizes para rotas

lembro uma tarde à dois
três beijos, às quatro
cinco promessas de amor
ao pôr do sol


Aí tem silêncio sepulcral, aqui verbos agressivos
O que seria mais ofensivo?
Nocivo só mesmo o tempo perdido
Se te importas, eu dúvido (ou não)

Quero sair do escuro
Pixar tem nome no muro
ou gritar num megafone

Te dar meu sobrenome

Mas feito a gente,
acaba assim:
Inco
mple
to

Monday, May 21, 2007

Um pouco do muito que já sabem

Não vou te matá... e fique sabendo que não é porque fui com a sua cara!
É porque desde que mataram aquela granfina da Lagoa que a área tá cheia de polícia! Os cana do batalhão disseram pros jornais que foi gente nossa, gente nossa, doutor! Mentira do caralho! Só desculpa pra subi aqui e quebrar mais um ou dois!

E sabe do que mais, doutor? Vocês todos vão aplaudir e dizê que essa polícia aí funciona... mas o que pouca gente sabe é que eles querem invadí aqui só pra recuperá dois fuzil que venderam pra nós faz 3 meses...

Mas e quem se importa né, doutor? E como tava dizendo, não vou te matá porque como a comunidade tá tampada de cana, nada mais sobe e nem desce... tem 8 dias que tá assim... então já viu, né? Nada de arma, munição, nem erva, nem pó... a ordem é poupá, tem que poupá, lá é tipo empresa, saca? Tu deve sabê melhor que eu!

Aí, doutor o senhor gosta de pó? Acho que o senhor curte é uma ervinha, né? Já fumou haxixe, doutor? Lá em cima tem haxixe, tu um dia pode experimentá... acho que vai gostá! Pelo menos tua filha gosta, acho que o senhor sabe, né? Desculpe a sinceridade doutor, mas ela toda semana ia lá em cima buscá uma trouxinha com a gente! Ela e umas amiga dela...

É doutor, conheço sua filha, uma loirinha, alta, né? Com um beija-flor tatuado nas costas, né? Gosto de beija-flor, doutor... me lembra minha vó que colocava água pros passarinho bebê na janela!

Mas olha doutor, não fica espantado não, sua filha é gente boa... aqui a gente sabe de tudo, porque é muito fácil saber de tudo, doutor! Nós é quem carrega o seu lixo, passa sua roupa, lava seu carro... aí fica mole né...

Quando olho essas grades aí, tanto botão, tanto vidro... pra que, doutor? O mundo é tão estranho, né, doutor? Tanta coisa, tanta... como se chama mesmo? Tecnologia, lembrei!

Tanta tecnologia e tudo assim... pelo menos aqui, pra tu ... eu e tu, aqui agora... quem diria né... e olha que o senhor ainda tem aqueles segurança, hein... tem gente que nem isso! Aliás um dos seus homens era meu amigo de infância, sabia?

É tudo tão engraçado, né, doutor? Acho que Deus as vezes é um grande comediante, desses tipo da televisão mermo... tipo um Didi... sei lá! Eu bem te vi na tv dia desses, doutor! Tu pegou aquela grana toda, mermo?

Pela tua cara, acho que não né... na tv tem tanta merda, né? É só violência e gente roubando! Aí vai um monte de gente pra dá opinião e nada muda, né? E olha que deboche né doutor, tu também já deve ter me visto na tv... mas acho que o senhor acredita mais neles do que em mim!

Do que importa eles, né? Hoje tamo nós aqui... mas deixa isso quieto, já falei demais! Daqui a pouco tudo passa, vem os jornalista, a polícia e tudo aquilo que a gente já sabe...

Tuesday, May 15, 2007

Dizendo a verdade

Tão dizendo que sumi
Tão dizendo que calei
Tão dizendo que fugi
Tão dizendo que mudei

Os de verdade sabem que não é assim
Os de verdade sabem que ainda estou aqui
Mas a realidade é que é difícil ser de verdade

Sempre pronto
Nem sempre em ponto
Mas a festa nunca começa sem mim

Tonto fingindo de morto
Espécie de aborto
Meios que explicam os fins

Falaram que corri
Falaram que errei
Falaram que me escondi
Falaram até o que não falei


Ainda temos muitas pedras pra atirar
E a disposição de pintar paredes
é a mesma que taca fogo no pneu


Bandeiras para hastear
Com a alegria de ritmista

Em uma Sapucaí-apogeu

Sunday, April 22, 2007

A sapiência do momento azul

Quase esquece do importante
Ao olhar para um jardim
obscuro de flores secas e galhos retorcidos

Quase esquece
Se não é a tempestade que chegara anunciada por trovões.

Passou a reconhcer a inutilidade de seus versos amargos que ecovam em paredes surdas
Voltou a gritar por algo menos fútil do que
suas dores pessoais

Observou borboletas migrando e então notou a lógica azul
Da cor do mar que traz e leva as ondas de acordo com o vento

Quase esquece do importante
Se não fossem vozes que involuntariamente lhe diziam para seguir em frente


Notou então que a chuva passou e lavou de súbito
Mágoa de verão agora desce pelo ralo para desaguar num rio doce que lhe sorri

Quase esquece se não fosse uma singela frase escrita com resto de giz
Por uma moça-menina de andar gentilmente desencontrado: o sol continua havendo lá fora


e junto com ele
pessoas q amam
em sincronia
mas amam
sem sintonia

Sunday, April 08, 2007

607

Depois de mais um dia ruim de engolir, ele volta para casa em um ônibus lotado.

E após realizar meio que malabarismo no curto espaço, tira do bolso suado da calça surrada uma bala maltrapilha, dessas que contam a sua sorte.

Desembrullha o doce e no papel a frase que martela na sua cabeça há dias:
"Amor mal curado é igual meia seca em sapato molhado".

Tuesday, March 06, 2007

feito sal de lágrima

E no disse-me-disse
Que me viram não sei onde
Não sei com quem
Que te viram não sei com quem
Não sei quando

Na natureza do blá-blá-blá
Fomos embora da casa do aconchêgo
E nos abrigamos no orgulho
Fugimos pra bem longe
E sem fazer barulho

E tudo foi ficando asism
Longe, bem longe
Ambas às vozes caladas
E fica tudo por isso mesmo

Fica sem graça então
Feito verso sem rima
Sem métrica
Ou algo que valha


permanece
a intensa
vontade de
desdizer
um pouco
do quase
que faltou
para consumar
permance
o desejo de
falar o tudo
que sobrou
de bom

Wednesday, February 07, 2007

Recomeço

Flores
Diversas flores
Dores de amores
Amores de muitas cores
Cores de muitos sabores
Sabores de desamores

Lágrimas
Diversas lágirmas
Derramadas em páginas
Páginas quase inventadas
Inventadas e arrancadas

Arrancadas na marra

Tuesday, January 30, 2007

Anjos Também Choram

Seu cinismo é uma virtude que honestamente invejo.
Mas veja bem, meu bem... ceninhas já não cabem.
Assim como palavrinhas de efeito ou estórinhas de 7 ou 8 frases.
Todos estamos em outra fase.

Se quisesse faríamos deste espaço um testemunho de nossos "causos".
Quem sabe usaríamos madrugadas tristes, tardes chuvosas ou trânsito engarrfado.
Mas não sou de recados desavisados, apesar de já ter sido, as vezes, um gentil canalha quase desprezível.

Falar nisso, deixe os cigarros pra mim e se tiver sobrado alguma garrafa coloque pra gelar. Você não fica nada elegante depois de algumas doses: sua risada perde a graça.

Faz um tempo consíderavel que assassinei meus poucos e simplórios personagens. Não vai haver rapaz escrevendo poema, não vai ter menina em mesa de bar. Tipo ultimamente quando eu atravesso a rua pra você não me ver com outras e vice-versa.

Hoje só leio jornal dos mais baratos, pra ver se endureço. Porém não tenho obtido sucesso, pois elas andam dizendo que meu olhar está cada vez mais doce(?) e a prosa cada vez mais interessante.

Friday, January 19, 2007

Samba-dono

A cidade tá pro samba
e o batuque me chama
uma pena você ter ido embora
talvez se tua ternura brilhasse mais
que seus verdes olhos belos
eu te procurasse
mas hoje é dia de samba
e não posso chorar


Hei de beijar tua mão, hei de te cortejar
mas isso num sonho bom
numa rua que mandaria ladrilhar

Se fosse minha, só minha
E se vivo na rua do mundo da lua
Casos impossíveis não me alimentam
Como desejos intermináveis
mas hoje é dia de samba
e não posso chorar

Thursday, January 18, 2007

Resumindo...

Assim, sem menos perceber, fui embora daquela festinha blá-blá-blá. O auge dá noite? A mancha de vinho tinto que deixei na camisa surrada do rapaz de brinco na orelha.

E antes que me pergunte: sim, dei meu número de telefone (errado) pra três: dois que só pensam em me comer, e um que antes de me comer se fingirá de santo, namorado perfeito e grande amigo.

Agora vou dormir, porque amanhã vai dar praia e o shopping todo está em promoção.

Wednesday, January 17, 2007

Ela, o povo

E ela subiu
E ela encantou
E ela sorriu
E ela cantou

E o povo aplaudiu
O povo emocionou
E o povo uniu
O povo chorou

A dois metros do chão
Girou alva-amarela
Surpreendeu monotonia
A alma mais bela

Saber dançar-alternativa, luta pacífica
Pois quando os pés brincam
As mãos não declaram guerra

Por isso que ela vai cirandar
Brincar, dançar
Pois quando os pés brincam
As mãos não declaram guerra

Thursday, January 11, 2007

Piii...

Chegando em casa, ela colocou a bolsa em cima da grande mesa de madeira, alimentou os seus três peixes do aquário e enquanto tirava a sandália apertou o play da secretária eletrônica e ouviu o primeiro recado, a voz lhe soava bastante familiar:

"...Se um dia passar por essas bandas novamente, leve contigo aquilo que te pertence. Nunca quis ser assim. Ando falando demais, pensando demais, inventando demais. Não quero contar estórias, não quero.

Não me compreenda errado, não interprete e nem busque desdizeres nas entrelinhas. Desculpa. Não quero mal agradecer um pouco do tudo que sou hoje, mas se me brindam com algum elogio, logo revivo você e mais que imediatamente reconheço que parte de certos afagos que ouço devo a ti.

Renegar a vocação, à meu ver, é pecado tão estúpido quanto ignorar as leis da física ou fato equivalente. Mas soa quase como plágio certas vezes. Meu mundo é cinza e nunca quis colorir. Aliás as metáforas andam me enjoando, sem exageros.

E o que dirão? Alguns falam em "dom", "habilidade", "jeito pra coisa". Mas esse tal de "talento" foi um presente furado que tu me deste feito par de meias que aquela tia inconveninente dá no Natal. Não quero me desavergonhar, essa mania de verbalizar já passou dos limites. Caras tímidos cantam no chuveiro, e só..."


Monday, January 08, 2007

Diálogo Mil Caras

- E se eu falasse um sonoro "puta que pariu" durante o jantar da família dela?
- Não entendi...
- O que quero dizer é o seguinte... olhe ao redor... por exemplo, aquela loirinha ali, carinha de virgem, de boa aluna, quem não me garante que...
- Que ela é uma devassa enrustida?!
- É!
- Porque seus pensamentos são sempre assim?
- Assim, como? Só estou especulando, ué... estamos nós dois aqui, vendo e sendo vistos e...
- Homens, homens... você me lembra meu ex, sabia?
- Quem? O Carlos?
- Ele mesmo...
- Porra, assim você me ofende...
- Porra digo eu! É sempre uma teoriazinha, uma conspiração, uma...
- Nada disso, garota! Presta atenção, só tô dando essa volta pra ver se essa sua cabeça de vento entende... ...o que quero dizer é que todos usam máscaras...
- Tá me chamando de falsa?
- Ah, cacete... assim vai ficar difícil! Não tô dizendo que você é falsa, mas com certeza não te conheço por inteiro, entende?
- Cara, o que você anda lendo?
- Isso não tem a ver com meu livro de cabeceira, mas sim com...
- Tem sim, tem tuuudo a ver, você disse que usamos máscaras, te chamo pra conversar, pra desabafar e voce vem com papo de "máscaras"? Então me diga, querido, qual é a sua máscara?
- Não sei, é bem provável que eu tenha mais de uma, tudo depende da forma como quero ser visto e como as outras pessoas me vêem e...
- Qual máscara está usando agora?
- A de Dalai Lama, haja paciência pra conversar com você!