flagro-me pensando em você
e largado no passado
viajo num quase-sonho
quase-bom
Você lamenta, eu grito.
Teu céu nubla sem graça, o meu relampeja no infinito
Se teus braços cruzam, meus punhos cerram
Melancolia não combina com cólera
Como roteiros de fins tristes e finais felizes para rotas
lembro uma tarde à dois
três beijos, às quatro
cinco promessas de amor
ao pôr do sol
Aí tem silêncio sepulcral, aqui verbos agressivos
O que seria mais ofensivo?
Nocivo só mesmo o tempo perdido
Se te importas, eu dúvido (ou não)
Quero sair do escuro
Pixar tem nome no muro
ou gritar num megafone
Te dar meu sobrenome
Mas feito a gente,
acaba assim:
Inco
mple
to
Wednesday, May 30, 2007
Monday, May 21, 2007
Um pouco do muito que já sabem
Não vou te matá... e fique sabendo que não é porque fui com a sua cara!
É porque desde que mataram aquela granfina da Lagoa que a área tá cheia de polícia! Os cana do batalhão disseram pros jornais que foi gente nossa, gente nossa, doutor! Mentira do caralho! Só desculpa pra subi aqui e quebrar mais um ou dois!
E sabe do que mais, doutor? Vocês todos vão aplaudir e dizê que essa polícia aí funciona... mas o que pouca gente sabe é que eles querem invadí aqui só pra recuperá dois fuzil que venderam pra nós faz 3 meses...
Mas e quem se importa né, doutor? E como tava dizendo, não vou te matá porque como a comunidade tá tampada de cana, nada mais sobe e nem desce... tem 8 dias que tá assim... então já viu, né? Nada de arma, munição, nem erva, nem pó... a ordem é poupá, tem que poupá, lá é tipo empresa, saca? Tu deve sabê melhor que eu!
Aí, doutor o senhor gosta de pó? Acho que o senhor curte é uma ervinha, né? Já fumou haxixe, doutor? Lá em cima tem haxixe, tu um dia pode experimentá... acho que vai gostá! Pelo menos tua filha gosta, acho que o senhor sabe, né? Desculpe a sinceridade doutor, mas ela toda semana ia lá em cima buscá uma trouxinha com a gente! Ela e umas amiga dela...
É doutor, conheço sua filha, uma loirinha, alta, né? Com um beija-flor tatuado nas costas, né? Gosto de beija-flor, doutor... me lembra minha vó que colocava água pros passarinho bebê na janela!
Mas olha doutor, não fica espantado não, sua filha é gente boa... aqui a gente sabe de tudo, porque é muito fácil saber de tudo, doutor! Nós é quem carrega o seu lixo, passa sua roupa, lava seu carro... aí fica mole né...
Quando olho essas grades aí, tanto botão, tanto vidro... pra que, doutor? O mundo é tão estranho, né, doutor? Tanta coisa, tanta... como se chama mesmo? Tecnologia, lembrei!
Tanta tecnologia e tudo assim... pelo menos aqui, pra tu vê... eu e tu, aqui agora... quem diria né... e olha que o senhor ainda tem aqueles segurança, hein... tem gente que nem isso! Aliás um dos seus homens era meu amigo de infância, sabia?
É tudo tão engraçado, né, doutor? Acho que Deus as vezes é um grande comediante, desses tipo da televisão mermo... tipo um Didi... sei lá! Eu bem te vi na tv dia desses, doutor! Tu pegou aquela grana toda, mermo?
Pela tua cara, acho que não né... na tv tem tanta merda, né? É só violência e gente roubando! Aí vai um monte de gente pra dá opinião e nada muda, né? E olha que deboche né doutor, tu também já deve ter me visto na tv... mas acho que o senhor acredita mais neles do que em mim!
Do que importa eles, né? Hoje tamo nós aqui... mas deixa isso quieto, já falei demais! Daqui a pouco tudo passa, vem os jornalista, a polícia e tudo aquilo que a gente já sabe...
É porque desde que mataram aquela granfina da Lagoa que a área tá cheia de polícia! Os cana do batalhão disseram pros jornais que foi gente nossa, gente nossa, doutor! Mentira do caralho! Só desculpa pra subi aqui e quebrar mais um ou dois!
E sabe do que mais, doutor? Vocês todos vão aplaudir e dizê que essa polícia aí funciona... mas o que pouca gente sabe é que eles querem invadí aqui só pra recuperá dois fuzil que venderam pra nós faz 3 meses...
Mas e quem se importa né, doutor? E como tava dizendo, não vou te matá porque como a comunidade tá tampada de cana, nada mais sobe e nem desce... tem 8 dias que tá assim... então já viu, né? Nada de arma, munição, nem erva, nem pó... a ordem é poupá, tem que poupá, lá é tipo empresa, saca? Tu deve sabê melhor que eu!
Aí, doutor o senhor gosta de pó? Acho que o senhor curte é uma ervinha, né? Já fumou haxixe, doutor? Lá em cima tem haxixe, tu um dia pode experimentá... acho que vai gostá! Pelo menos tua filha gosta, acho que o senhor sabe, né? Desculpe a sinceridade doutor, mas ela toda semana ia lá em cima buscá uma trouxinha com a gente! Ela e umas amiga dela...
É doutor, conheço sua filha, uma loirinha, alta, né? Com um beija-flor tatuado nas costas, né? Gosto de beija-flor, doutor... me lembra minha vó que colocava água pros passarinho bebê na janela!
Mas olha doutor, não fica espantado não, sua filha é gente boa... aqui a gente sabe de tudo, porque é muito fácil saber de tudo, doutor! Nós é quem carrega o seu lixo, passa sua roupa, lava seu carro... aí fica mole né...
Quando olho essas grades aí, tanto botão, tanto vidro... pra que, doutor? O mundo é tão estranho, né, doutor? Tanta coisa, tanta... como se chama mesmo? Tecnologia, lembrei!
Tanta tecnologia e tudo assim... pelo menos aqui, pra tu vê... eu e tu, aqui agora... quem diria né... e olha que o senhor ainda tem aqueles segurança, hein... tem gente que nem isso! Aliás um dos seus homens era meu amigo de infância, sabia?
É tudo tão engraçado, né, doutor? Acho que Deus as vezes é um grande comediante, desses tipo da televisão mermo... tipo um Didi... sei lá! Eu bem te vi na tv dia desses, doutor! Tu pegou aquela grana toda, mermo?
Pela tua cara, acho que não né... na tv tem tanta merda, né? É só violência e gente roubando! Aí vai um monte de gente pra dá opinião e nada muda, né? E olha que deboche né doutor, tu também já deve ter me visto na tv... mas acho que o senhor acredita mais neles do que em mim!
Do que importa eles, né? Hoje tamo nós aqui... mas deixa isso quieto, já falei demais! Daqui a pouco tudo passa, vem os jornalista, a polícia e tudo aquilo que a gente já sabe...
Tuesday, May 15, 2007
Dizendo a verdade
Tão dizendo que sumi
Tão dizendo que calei
Tão dizendo que fugi
Tão dizendo que mudei
Os de verdade sabem que não é assim
Os de verdade sabem que ainda estou aqui
Mas a realidade é que é difícil ser de verdade
Sempre pronto
Nem sempre em ponto
Mas a festa nunca começa sem mim
Tonto fingindo de morto
Espécie de aborto
Meios que explicam os fins
Falaram que corri
Falaram que errei
Falaram que me escondi
Falaram até o que não falei
Ainda temos muitas pedras pra atirar
E a disposição de pintar paredes
é a mesma que taca fogo no pneu
Bandeiras para hastear
Com a alegria de ritmista
Em uma Sapucaí-apogeu
Tão dizendo que calei
Tão dizendo que fugi
Tão dizendo que mudei
Os de verdade sabem que não é assim
Os de verdade sabem que ainda estou aqui
Mas a realidade é que é difícil ser de verdade
Sempre pronto
Nem sempre em ponto
Mas a festa nunca começa sem mim
Tonto fingindo de morto
Espécie de aborto
Meios que explicam os fins
Falaram que corri
Falaram que errei
Falaram que me escondi
Falaram até o que não falei
Ainda temos muitas pedras pra atirar
E a disposição de pintar paredes
é a mesma que taca fogo no pneu
Bandeiras para hastear
Com a alegria de ritmista
Em uma Sapucaí-apogeu
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