Sunday, April 22, 2007

A sapiência do momento azul

Quase esquece do importante
Ao olhar para um jardim
obscuro de flores secas e galhos retorcidos

Quase esquece
Se não é a tempestade que chegara anunciada por trovões.

Passou a reconhcer a inutilidade de seus versos amargos que ecovam em paredes surdas
Voltou a gritar por algo menos fútil do que
suas dores pessoais

Observou borboletas migrando e então notou a lógica azul
Da cor do mar que traz e leva as ondas de acordo com o vento

Quase esquece do importante
Se não fossem vozes que involuntariamente lhe diziam para seguir em frente


Notou então que a chuva passou e lavou de súbito
Mágoa de verão agora desce pelo ralo para desaguar num rio doce que lhe sorri

Quase esquece se não fosse uma singela frase escrita com resto de giz
Por uma moça-menina de andar gentilmente desencontrado: o sol continua havendo lá fora


e junto com ele
pessoas q amam
em sincronia
mas amam
sem sintonia

Sunday, April 08, 2007

607

Depois de mais um dia ruim de engolir, ele volta para casa em um ônibus lotado.

E após realizar meio que malabarismo no curto espaço, tira do bolso suado da calça surrada uma bala maltrapilha, dessas que contam a sua sorte.

Desembrullha o doce e no papel a frase que martela na sua cabeça há dias:
"Amor mal curado é igual meia seca em sapato molhado".